2018

Os fogos explodem.

A vida já não é mais tão barulhenta como outrora. A verdade é que as coisas vão se ajeitando, criando corrente, sequência. Quando a gente vê, já estão no lugar. Isto é a vida: uma sequência de sobreposições de cenas.

Depois dos fogos, mais uma caminhada pela noite quente, com pouco barulho e pouca gente.

A casa fica no fim da rua, tem o número 151, que, na soma, dá 7. Sete é o número sagrado.

Tem gente que ainda escolhe a cor da roupa que vai usar na virada: verde pra ter sorte, amarelo pra chamar dinheiro, branco se quiser paz, vermelho pra quem busca amor etc.

A gente dorme e acorda sem manteiga. É meio que a crise do momento. Falta o pãozinho da manhã, pra acompanhar o café com canela. Falta a vontade pra enfrentar o dia. Sobra a preguiça.

A gente coloca mais uma vez um episódio da série pra assistir, almoça e dorme depois do almoço.

Acordo de novo. Lavo as louças do almoço. Faço um café. Vejo duas entrevista do Pedro Bial, uma sobre o “cinema novo brasileiro” e outra de pessoas falando sobre Carlos Drummond de Andrade. Que poeta.

A gente toma o primeiro banho juntos. Caminha mais uma vez na noite. Toma sorvete de frutas. Para pra beijar na mesma árvore, na esquina. Faz planos malucos e conversa sobre o passado.

A gente volta junto pra casa do final da rua.

A gente continua.

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da metamorfose

Com este texto, tentarei traduzir quais são as sensações que me afligem quando penso no meu futuro e nas minhas responsabilidades atuais.

Eu ainda não sei bem quem eu sou. Não falo do sentido filosófico, mas do psicológico (?). Tenho dificuldades para enxergar meu futuro, apontar minha meta.

De uma coisa eu sei: sou bom em mentir.

Não sei muito bem como preencher o sentido da minha existência. Talvez seja com alguma religião. Posso dizer que a meditação tem se mostrado a técnica mais clara e próxima de algo espiritual.

Sinto que sou do mundo, mas não pertenço à ele. É como se eu tivesse duas visões: de um lado, mantenho meus olhos na posição horizontal e vejo que meu foco deve ser o dinheiro, que se traduz no meio que, aparentemente, torna minha sobrevivência menos sofrida. Por outro lado, quando olho para o céu, vejo a grandiosidade das coisas, repouso minha atenção na vida na sua pura essência, sem me preocupar no sucesso comercialmente vendido.

Viver a vida na sua essência me parece ser a melhor escolha. No entanto, tento cumprir minhas metas ligadas ao dinheiro. Terei uma formação acadêmica.

Promessas para o ano novo

Bem, aqui estou. As minhas férias já se foram pela metade. Acabei de me deparar com um texto na internet em que o título era “Os cinco tipos de resoluções para o final de ano que você não vai cumprir”. O autor, de maneira muito inteligente, listou tipos de promessas que são impossíveis de serem cumpridas. Ao final do texto, lembrei que minha última promessa de ano novo foi uma namorada. Pois é, o texto diz exatamente que esse é tipo de pedido que depende de mais de uma pessoa, motivo pelo qual sua concretização se torna complicada.

Em seguida, me deparei com um texto que abordava as características que tornam as pessoas desejadas. Sucesso, beleza e dinheiro fazem parte do pacote, mas não são os únicos. O autor falou, em síntese, da importância de sermos especiais para a outra pessoa.

Portanto, meus esforços estão direcionados para que eu desperte o desejo de outras pessoas. Arrumarei a casa, receberei os outros seres.

Viva o presente.

Relatório nº1

Estou me sentindo muito triste, com medo e pessimismo. Sinto que alguma coisa deu errado.

1. Percebi que, depois de consumir bebidas alcoólicas, fico extremamente depressivo. Acredito que talvez seja a hora de suspender o consumo desta droga. Aliás, talvez seja o momento de novamente refletir sobre minha saúde. Minha dieta vegetariana está muito pobre.

2. Sinto que dou valor e me prendo muito ao passado. Coloco esperança onde não deveria. Tento ser a pessoa de anos atrás, sem me ater ao fato de que o tempo passou, as coisas mudaram, e amadureci. Preciso parar de pensar na T., G. e F.

3. Caio no mesmo erro do passado. Minhas amizades acabam por ser passageiras. Colocarei esforços para renovar alguns laços afetivos, daqueles que realmente são os verdadeiros.

4. Prefiro os que aplaudem o pôr do sol àqueles que buscam derrotar o inimigo. Meu despertar é silencioso, mas faz todo o sentido.

5. Por muito tempo eu me achei o melhor em tudo. Acreditei na ilusão de que eu era um ser especial. Por algum motivo, construí a ilusão de que eu era bonito, super-inteligente e engraçado. Coloquei-me muito acima da média. Até hoje, sempre que conhece alguma pessoa, busco os defeitos que a impedem de ser perfeita. Alimentei uma visão de pessoas perfeitas. Muitas das minha ações foram feitas para parecer, sem necessariamente representarem a minha necessidade interior. Devo viver minhas reais vontades, no entanto, ainda não as descobri.

6. Gostaria de ser menos egoísta, de ouvir as pessoas, de estar presente. Esse é o meu desafio de hoje: viver o presente.

7. Preciso me conhecer, saber quais são as coisas que realmente me agradam, e parar de me espelhar em modelos sociais vazios.

8. Preciso de uma namorada.

Resumo do resumo do resumo

Y: – Estou com 22 anos, não me sinto velho. Também não me sinto novo, mas sinto que perdi muito tempo. Queria ter errado mais enquanto era permitido. Mas, por mais engraçado que pareça, tenho vergonha dos meus erros do passado. Gostaria de me reinventar e começar de novo. Gostaria de ter mais coragem para enfrentar as coisas todas. Gostaria de ter mais tempo para pensar sobre as coisas que faço e executar aquelas que prometi terminar antes de inventar outras. 

X:- O que são “as coisas todas”?

Y: – São todos os medos que tenho. O futuro é tão incerto! Não me sinto seguro. Não gosto de pensar nem em 2014! O que eu farei quando eu crescer? Eu cresci? Não sei…

 

X: Você fala em sentido para as coisas. Quando isso acontece?

 

Y: Eu sempre penso e penso e penso. Ainda não achei o verdadeiro sentido da minha existência (se é que existe). Talvez eu esteja perdendo muito tempo tentando encontrar um sentido para as coisas. Talvez eu devesse fazer as coisas sem pensar muito…

 

X: e por que não faz?

Y: Acredito que temos apenas uma vida, não quero desperdiçar minha vida em coisas sem sentido.

 

X: O que são as coisas sem sentido?

 

Y: São todas as coisas que eu não faria se soubesse que morreria amanhã. Eu não faria quase nada se soubesse que morreria amanhã. 

Espero que este blog seja uma terapia 😀